Meu pai, Tiãozinho pescador, desceu o rio Indaiá em 1947 no garimpo artesanal com um escafandro rudimentar.
Época na qual o garimpo, a pesca e a caça eram trabalhos dignos e meios de subsistência.
Hoje, pescadores, caçadores e garimpeiros (predadores naturais) são perseguidos como bandoleiros criminosos.
Profissões que estão quase extintas em prol de grandes indústrias, mineradoras e corporações.
Tiãozinho, angustiado da perseguição dos coronéis e latifundiários .
Casou-se em Canoeiros e constituiu família de dezoito filhos às margens do rio São Francisco.
Ali nas margens do rio éramos poucas famílias;
A do sô Marcolino, a do sô Severo, a do sô Geraldo Reis, a do sô Sabino e a nossa. Outras foram chegando.
O rio era solto e livre sem nenhuma cerca de arame, sem nenhum corte (a não ser a barragem e um cabo de aço guardado à bala pela companhia hidrelétrica acima das aringas)
Logo abaixo, nós as crianças passávamos todo o dia nadando nas raseiras e correndo pelas margens.
Como toda criança da época, eu acreditava que o rio era meu. Era tudo que eu conhecia na infância;
Minhas primeiras brincadeiras, meu primeiro banho, meu primeiro gole d’água, meu primeiro alimento sólido, minha primeira namorada e os limites do meu mundo, do que meus olhos viam e meus sonhos sonhavam.
Nossa geladeira e nossa dispensa eram o rio São Francisco. Tudo isso me fazia pensar que o rio era meu.
Cuidávamos dele, retirávamos o lixo jogado pelas companhias metalúrgica e hidroelétrica. Limpávamos as margens.
E o tempo passou. Não sei por que a gente cresce! A realidade é dura.
Após alguns anos voltei às margens onde corríamos livres como nos quintais de nossas casa Onde todos tinham acesso para irem e virem. Mas a angustia tomou conta de mim O rio se encontra hoje cheio de donos que o prostituem, constroem cercas de arames e muros até entrar na água retalhando e dizimando-o como se fosse um talho de picanha.
Construindo nas margens onde arremessam seus estrumes. Como se Deus tivesse lhes conferido uma escritura privada Onde estarão os órgãos defensores do meioambiente ?
Porque são omissas as entidades ecológicas?
Por onde andarão as milícias que tem verbas públicas para cuidar do meioambiente?
Estarão porventura perseguindo miseráveis pescadores? Oprimindo-os? Saqueando-os?
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2011-03-25 11:48:19 |186.213.215.xxx| revolta
Faço das suas as minhas palavras nasci e me criei na beira do Velho Chico, não só eu mas meu pai, minha mãe e todos da minha família, hoje para chegar a margem do rio ou você paga ou não chega, fico revoltada a cada feriado que vou em Três Marias e vejo o que a MINEIRA está fazendo com a cidade o caminho do Pontal do Abaeté já não é o mesmo, me lembro quando criança eu ia pra lá de caminhonete olhando pra beira da estrada à procura de frutas silvestres me divertia até. Agora no carnaval passei lá gente quase não reconheci o caminho.
Vamos acordar pra vida gente, não é uma doação para escolas ou para o hospital que paga a quantidade de peixes e a natureza em geral que ela (Mineira) está destruíndo.
Enquanto entidades responsáveis pelo meio ambiente está atrás de pescadores que estão lutando para sobreviver, porque não vão atrás dos grandes que mata a de uma só vez a quantidade de peixes que os pescadores levam meses ou até anos para pegarem, quem é o GRANDE VILÃO da história? Não se deixem comprar por doações que não passa de obrigação deles...











Muito interessante e inteligente as palavras do escritor Amaro, sempre preoculpado com a cultura e o meio ambiente, sua observação é muito importante porque não temos mais a liberdade de passear pelas margens do velho chico que mais parece um presidio ou mesmo um campo de concentração cercado de muros e arame farpado, como se o rio fosse propriedade privada e privilegio de alguns... nossas autoridades e os orgãos ambientatais se calam na conivenciia com esta brutalidade imposta a natureza e a beleza do Rio da Integração Nacional.