Domingo, 10:30 da manhã, primavera de um ano que ficou no passado.
O telefone (aparelho chato) toca. _Oi, (atendo depois de pensar se devo.)
Surpresa agradável! Era meu filho Pedro.
_Papai, dizia ele, aqui em casa ta chato, vamos passear?
_Ótima ideia, te pego as 11; 45, respondi empolgando, pois Pedro é meu melhor amigo.
Assim pouco tempo depois estávamos em meu velho carro rumo à praia com “balas, mãos meladas, chicletes no assento e lá se vão as pipocas ao vento,festejando nosso fim de semana”.
Nadamos, brincamos de taco e bolinha de gude, comemos frutas, sanduíches.
Pedro foi a uma barraca que vende sorvete: _quanto é a bola de sorvete? Perguntou.
_é um real! Respondeu a dona com cara de poucos vizinhos.
Dei-lhe o vil metal. Ele foi à barraca voltando rapidamente e permaneceu do meu lado calado.
Pedro, cadê o sorvete? Perguntei. Ele me contou a história (piada) não acreditei, fui à barraca, lá estava a dona de poucos vizinhos, lembra?
_Quanto é a bola de sorvete? (Eu estava curioso)
_já falei pro menino que é um real! Respondeu a dona com a cara de menos vizinhos que antes.
Coloquei a moeda certa no balcão e disse: _então me venda uma bola.
_mas nós não vendemos uma bola, só vendemos duas. Respondeu já olhando para a próxima vítima.
_ele não quer duas, quer somente uma. O preço de uma não é um real? Argumentei.
_o preço de uma é um real, mas só vendo duas. Falou aquilo como uma cloaca social.
Como um defensor de tese, tentei explicar que aquilo não podia virar moda ou do contrário ninguém compraria um carro, pois só venderiam dois;
compraria uma casa e pagaria duas ou se pedisse um remédio na farmácia e fosse obrigado a levar dois.
Constrangido, sem entender se o ocorrido era preocupante ou cômico
sai dali indignado com as sendas capitalistas me espreitando;
Com o monstro consumista me acuando. Fomos tomar sorvete na cidade.
Mas com pelo menos o único direito que ainda não me fora roubado:
o direito de não comprar quando me sentir explorado.











conscientização: o homem tem mais direitos enquanto comunidade do que como indivíduo. o caminho é a luta pelos direitos. nos temos mais do imaginamos. lutemos pois!