Chegando de mais uma noite fria de trabalho já que para receber um salário mínimo tenho de cumprir doze horas de trabalho ininterruptas
(pois sou roubado em minhas horas extras, já que me obrigam a trabalhar sábados, domingos e feriados)
Como de rotina, chego em casa ás seis da manhã, o dia em penumbra, o sol ainda não chegou.
Abro o portão, ao entrar tranco-o, deixo o meu amigo par de botas na porta do banheiro que fica na área.
A roupa de trabalho deixo-a pendurada atrás da porta.
Entro no quarto e tento dormir até as onze, assim faço há quase dois anos.
Naquela manhã rolei na cama, pois meu coração havia sido roubado há uma semana.
Ouvi alguns ruídos, será que a larapia de coração veio me pedir perdão?
(que bobagem, mulheres não pedem perdão)
Neste último dia oito de julho, ao acordar, as onze, meu amigo par de botas desapareceu.
Mas como? Nunca as coloco fora do lugar, moro sozinho.
O senhor ladrão fez a gentileza de pular o portão para furtar minhas botas de trabalho
e ainda se desfazendo do meu par de meias. As meias eram novas. Será que tinham chulé?
Mas aí eu me ponho a pensar (coisa não muito rara) ladrão é um bicho interessante!
Está por todo lado, na política, na nossa rua, pode estar na nossa cama, do nosso lado e até sermos nós mesmos!
Senhores políticos, parem de roubar! Êi você, devolva meu coração! Prezado ladrão, devolva minhas botas com essa crise forjada a prefeitura jamais vai me fornecer outra.
Com o mísero salário que recebo não posso ficar comprando botas para calçar pés de larápios.
Mas sei que é inútil fazer esse apelo, ladrões são como estátuas ou imagens:
Tem boca, mas não falam, tem ouvidos, mas não ouvem, tem olhos, mas não lêem.
(a covardia é cega e só vê o que convêm)
Então só me resta remendar meus sentimentos e trabalhar o resto do ano com um velho sapato
dando calos nos meus pés e conviver com os ladrões de todas as formas que me rodeiam.
Ladrões são bichos imprevisíveis e injustos, mas a vida seria muito chata sem eles.
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2011-10-30 12:26:26 |189.13.50.xxx| cavalera
a abordagem das diversas formas de ser explorado é uma conveniencia dos tempos modernos:a explçoração intelectual,a exploração trabalhista, a exploração sentimental e por ultimo os dois explorados sociais: o roubado e o roubador.falou tudo!











Domingo proximo passado, assisti estarrecido uma reportagem sobre uma cidade ribeirinha do Velho Chico chamada de Traipu/Alagoas, tem +- 30 mil hab.Em que o prefeito é acusado de corrupção, assassinatos, empresas e funcionários fantasmas, nomes na folha com altos salários, uma verdadeira dilapidação dos cofres públicos é como se lá não existisse lei, o prefeito manda e desmanda, está foragido mesmo assim em entrevistas pelas ruas ele é amado e adorado pelo povo pobre e sofrido que vive das migalhas que sobram da farra do dinheiro publico. Essa realidade me chamou até Três Marias um cidade que tem potencial financeiro, recursos naturais, povo trabalhador e que se submete a uma politica mesquinha de perseguições, privilegios de poucos, as benesses do poder são distribuidas entre os puxasacos e nós assistimos tudo passivamente, e a maioria da impresa e os beneficiados apregoam aos quatro cantos que estamos vivendo em uma Sangri-la. A realidade é que estamos mais para Sodoma e Gomorrra do que para o paraiso que nos querem fazer acreditar.Acorda povo trimariense!